Famílias carentes sofrem na Região do Vale do Piancó
Foto: Padre Djacy Brasileiro
Foto: Padre Djacy Brasileiro
A seca e o baixíssimo nível de armazenamento nos reservatórios que abastecem os municípios paraibanos fizeram com que o preço da água potável disparasse no interior da Paraíba. A venda do produto se transformou num negócio lucrativo, tanto para o comércio formal, no caso da água mineral, como no alternativo, feito por comerciantes oportunistas que entregam água nas comunidades rurais mais afastadas das cidades. No caso da água mineral, um garrafrão de 20 litros chega a custar mais de 62% do que seu preço normal.
Com venda e lucro garantidos, por tratar-se de um item de necessidade básica em falta, o preço de um carro pipa cheio chega a R$ 200 em algumas regiões do Sertão e em municípios do Vale do Rio Piancó, onde a estiagem é mais agressiva. Em outras regiões castigadas pela seca, como o Cariri paraibano, a situação também se repete. A forma mais vendida, a lata simples, custa R$ 1,50. Mas existem disponíveis também caminhões cheios para abstecer caixas e até cisternas.Nesses casos, a qualidade da água não é garantida pelos fornecedores.
Ele disse que conseguiu colocar água na cisterna do sítio Tabuleiro, de sua propriedade por R$ 100 que dará para o consumo da família dele e de um irmão por cerca de 30 dias. "É a alternativa que nos resta. Temos um poço artesiano aqui perto que poderia abastecer as famílias da comunidade, mas a bomba está quebrada e não temos condições de pagar para consertar ou comprar outra", lamenta.
Na mesma comunidade, um grupo de dez famílias também teve que adquirir a água de uma caminhão pipa particular, mas a quantidade só dará para oito dias. Aquelas famílias que têm mais recursos ajudam as mais pobres e que não têm condições de contribuir para a compra da água. Como é o caso da família de dona Damiana Basílio, formada por sete pessoas.
"Nós estamos vivendo com muita dificuldade. Eu, por exemplo, não tenho como sobreviver com a roça porque quando não chove não tem o que colher ou vender. O único recurso que temos é R$ 189 que recebemos do Bolsa Família", conta a agricultora. Ela disse que quando recebe o dinheiro do programa do Governo Federal compra de feira para dar de comer a cinco filhos durante todo o mês. São sete pessoas dependendo exclusivamente dos poucos recursos do Bolsa Família para sobreviver e não tem condições de contribuir para a compra de água, por isso recebem o líquido dos vizinhos que se unem e se ajudam entre si.
A quantidade de água comprada que entra nas cisternas, no entanto, não dá para os animais. dona Damiana contou que terá que soltar uma jumenta que possui porque não tem como alimentá-la e matar a sede do animal que está prestes a parir e terá um fim triste se tiver que ser solta na caatinga. "O que eu posso fazer é pedir ajuda a todos. Quem puder me mande comida e água porque nossa situação é de tragédia", clamou a agricultora.

A água está sendo oferecida em latas, tambores e até carros pipas
Foto: Nildo Batista
Foto: Nildo Batista
A estiagem e a falta de planejamento dos gestores para lidar com o problema fazem surgir um comércio paralelo de água que não é mineral e que não traz garantias de qualidade. Ela é vendida geralmente em tambores de 150 litros e custa em média R$ 18,00. O produto vendido clandestinamente é usado principalmente para o consumo humano e para cozinhar.
"Se for usada somente para cozinhar e beber, a água de um tambor dá para 8 dias. Caso precise para lavar roupas e limpar a casa temos que gastar mais", contou Dona Francisca.
O tambor de água custa em média R$ 18
Foto: Nilo Batista
Agricultores compram água para as beber e para cozinhar
Foto: Nilo Batista
Além de pesar no bolso num momento em que a situação financeira está mais difícil por conta da estiagem, o consumo de água de procedência duvidosa deve ser evitada por recomendação da Vigilância Sanitária, pois ela pode trazer riscos para a saúde. Caso não tenha opção, a recomendação é ferver e filtrar a água antes de consumir.

Agricultores caminham quilômetros em busca de água
Foto: Diário do Sertão
Foto: Diário do Sertão
A água que encontra, geralmente é de péssima aparência, mas não se pode reclamar quando a escassez predomina. "A nossa situação está muito difícil. Só Deus para nos ajudar, porque não há mais esperança que a ajuda venha dos homens", desabafou o agricultor.
Na Paraíba, segundo levantamento da Agência Executiva Estadual de Águas (Aesa), os mais de 120 mananciais que abastecem os 223 municípios dispõem, atualmente, de 42% de suas capacidades de armazenamento de água.
O secretário de Infra Estrutura da Paraíba, Efraim Moreaes, disse que o Estado dispõe 249 carros pipas que abastecem aqueles municípios onde a distribuição de água do Exercito não chega. São 197 cidades com decreto de estado de emergência e conforme Efraim nos municípios que não havia carros pipas distribuindo água foram destinados três veículos.
Nos que tinham um só carro, foram disponibilizados mais dois e onde tinham dois carros foi destinado mais um para que nenhum município ficasse com menos de três carros pipas disponíveis para a distribuição de água.
Quanto aos carros pipas particulares que estão vendendo água, o secretário pediu para que os agricultores anotassem as placas dos veículos para uma eventual investigação com o objetivo de saber se eles são particulares mesmo ou se são aqueles que estão a serviço do Exército ou do Estado.
"As informações serão enviadas para o Comitê Estadual de Fiscalização das Ações de Convivência com a Estiagem para que as denúncias sejam investigadas", concluiu o secretário.
Taperoá em foco
com P.correio



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