Se em suas produções literárias, Ariano Suassuna se comporta com extrema maturidade literária e invejável fidelidade aos tipos que descreve, sua presença nos grandes auditórios alcança transcendências tais que unem corpo e alma numa transfiguração que o torna cada vez mais autêntico, sem prejuízo do fulgor da genialidade.
Nesta última estada na Paraíba, a convite da Academia Paraibana de Letras e da Procuradoria Geral do Estado, Ariano Suassuna ultrapassou, em termos de plateia, toda a imensurável dimensão e capacidade do Auditório da Estação Ciência, e seus entornos, a tal ponto que, mesmo já tendo falecido, Oscar Niemeyer espera a primeira oportunidade para defender seu projeto e rever seus cálculos, se for o caso, duvidando da multidão que acorreu à última Conferência-Espetáculo protagonizada pelo Cavaleiro Condecorado.
O imortal de Taperoá, sem querer polemizar com o célebre Arquiteto, com muitas obras na Paraíba, ao saber da intenção de Niemeyer, teria respondido: você me superou em tudo. Todavia, na arte de fazer rir, estou cumprindo a missão sublime de levar muita alegria e bom humor ao povo deste país.
Essa constatação não é só de quantos têm prestigiado seus espetáculos culturais. É Ariano Suassuna, hoje, unanimidade nacional, e, segundo ele, de todos os seus desempenhos, o de que ele mais gosta é de se comportar, no palco, como palhaço, num gesto de humildade, homenageando os queridos artistas dos circos populares, que frequentaram a nossa imaginação, e ainda o fazem, concorrendo em igualdade de condição e tecnologia com os grandes e atuais veículos de lazer e comunicação.
Bem. Nisso estamos de pleno acordo. Todavia, quanto à discussão entre Ariano Suassuna e Oscar Niemeyer, é querela de gênios, e dela estou fora, dando por terminada esta minha despretensiosa participação em tão elevado debate.
Taperoá em foco
com Evaldo Gonçalves



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