Grupo teatral Arupemba de Campina Grande apresenta dois espetáculos neste final de semana em Taperoá : RITORNO A
CORALLINA, espetáculo teatral baseado em texto do reconhecido autor
argentino Juan Carlos Gené, que recebeu apoio do FIC/PB para circular
e HISTÓRIAS CANTADAS, espetáculo com música, canto e
interpretação, que reúne uma seleção de histórias em versos surgidas
na Idade Média, circula com o apoio do MINC/DLLL.
Histórias cantadas
O espetáculo musical/teatral Histórias Cantadas acontece nesta sexta-feira, dia 22, às 19h, no auditório da UAB , e tem o caráter de uma aula-espetáculo, onde são apresentados diversos “romances” (histórias em versos) vindos sobretudo do romanceiro ibérico medieval e chegando aos romances brasileiros, identificados inclusive na nossa música popular brasileira.
No espetáculo, durante cerca de uma hora, são realizadas
interpretações musicais – canto acompanhado por instrumentos - de
alguns romances de origem medieval que fazem parte também de nossa
tradição oral. Estes cantares são entremeados de momentos de conversa
informal com o público, onde se narra a história do romance, suas
principais características e sua disseminação pelo mundo (África e
América Latina em particular).
Trata-se de uma contação de histórias, mas toda cantada, em versos
de linha melódica bastante simples, o que na sua origem objetivava
permitir sua fácil memorização por um público que tinha então, na
figura dos menestréis, o seu principal meio de comunicação sobre os
acontecimentos da época.
Resultado do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel, SAI/MINC,
Edição Patativa do Assaré, o projeto busca divulgar o romanceiro
medieval ainda presente em nossa tradição oral, particularmente em
comunidades do Nordeste. Desde meados deste ano o espetáculo vem
circulando por diversas cidades da PB e PE, sobretudo na região do
Vale do Pajeú, reconhecido celeiro de poetas populares,
representantes da literatura oral, cantadores e repentistas.
Ao final de cada apresentação, o grupo abre conversa com o público
para uma troca de ideias final sobre o tema, possíveis esclarecimentos
e até mesmo registros, quando for o caso, da presença do romanceiro
nas comunidades visitadas. Um libreto com informações importantes
sobre o romance, sua história e características, seu entrelaçamento
com o nosso cordel e com outras manifestações da cultura popular oral
em nosso país está sendo produzido pelo grupo. Exemplares deste
material serão depositados na biblioteca e escolas do município
interessadas pelo mesmo.
Para a apresentação de Histórias Cantadas, além dos intérpretes do
grupo Arupemba, Camila Melo, Eliane Lisboa, Elma Silva e Maxsuel
Alves, o Grupo conta com a participação dos músicos Felipe Dayvson no
violão, que também assina a direção musical do trabalho, e Alyson
Santos na flauta, com Eliane Lisboa na direção geral de Eliane
Lisboa.
Ritorno a Corallina
Ainda neste sábado, dia 23, outro trabalho do Grupo Arupemba, o espetáculo teatral RITORNO A CORALLINA, acontece às 19h na Escola Municipal Pedro de Farias. Com tradução de Eliane Lisboa, o texto “Ritorno a Corallina”, trata da vida do imigrante, sua difícil adaptação a uma nova cultura, sua tristeza pela abandono da terra de origem, a lembrança de seus entes queridos, as recordações do passado e o sonho sempre vivo de regressar ao lugar onde nasceu.
A história se passa numa pequena capela abandonada, num povoado
perdido da Venezuela, onde após dois meses de busca, Pascoal encontra
seu pai desaparecido a pintar afrescos nas paredes, em companhia de
Salustiana, uma jovem de comportamento bastante estranho que trata a
seu pai como se este fosse um Santo.
Franco Di Fiore, imigrante italiano que viera para a Venezuela em
busca do Eldorado, para espanto de seu filho acredita agora estar de
volta a sua terra natal. Mais espantoso ainda é o fato de que ele e
Salustiana conversam com uma mulher, Corallina, no que Pascoal
reconhece ser apenas a imagem de uma santa colocada num nicho da
capela.
Entristecido ao ver o pai mergulhado na loucura, Pascoal tenta
trazê-lo de volta ao mundo da razão, mas a história toma rumos
inesperados quando Salustiana intervém. Razão versus inspiração e o
amor à arte e à família são alguns dos aspectos que impulsionam a
trama de ‘Ritorno a Coralina’, um texto com viravoltas surpreendentes
e grande força poética.
Integram o elenco do espetáculo Allan Barros (Franco), Camila
Oliveira (Corallina), Elma Silva (Salustiana) e Maxsuel Alves
(Pascoal), sob a direção de Eliane Lisbôa, Napoleão Guttemberg é o
responsável pela iluminação e Vilmara Rodrigues pelo figurino.
Circulação pelo Estado da PB
Ritorno a Corallina estreou em dezembro último, no SESC, dentro das programações do IV Festival Atos de Teatro Universitário, após mais de um ano de trabalho do grupo, em processo que fez uso das técnicas de Stanislavski, a partir da prática da leitura ativa. Este é o primeiro trabalho de maior fôlego do Grupo Arupemba, surgido ainda em 2011 e que vem a cada ano caminhando para uma maior profissionalização.
O espetáculo foi contemplado com o Fundo de Incentivo à Cultura do
Governo do Estado da PB – FIC Augusto dos Anjos, e está circulando
por diversas cidades, já tendo se apresentado em Alagoa Grande,
Puxinanã, Lagoa Seca e no final de agosto dentro da Semana de artes
de Cuité, devendo até o final do ano realizar apresentações em
Taperoá e Baía da Traição, todas cidades contempladas pelo projeto
que prevê ainda realização de uma oficina para atores e uma palestra
aberta a professores e estudantes destes municípios.
Sobre Juan Carlos Gené
Nascido em 1928 e falecido em janeiro de 2012 na Argentina, Juan
Carlos Gené é figura ímpar do panorama teatral latino-americano. Foi
fundador e animador do Grupo Atoral 80, na Venezuela onde viveu de
1977 e 1993, como exilado, em razão da ditadura militar que assumiu o
poder na Argentina. Sua trajetória no teatro, na TV e no cinema,
como ator, diretor, dramaturgo e pedagogo alcança dimensão
continental por sua vinculação com diversos países latino-americanos.
Juan Carlos Gené foi Secretário Geral e Presidente da Associação
Argentina de Atores, Diretor Geral do Canal 7, Diretor Geral do Teatro
San Martín e professor nas Universidades de Buenos Aires e La Plata e
na Universidade Central da Venezuela. Responsável pela criação e
direção do Centro Latino-Americano de Criação e Pesquisa Teatral
(CELCIT) foi reconhecido como Cidadão Ilustre da cidade de Buenos
Aires em 1992.
Sobre o Grupo Teatral Arupemba
O Grupo Teatral Arupemba congrega atores que se reuniram a partir de
diferentes cursos ministrados pela diretora do grupo, Eliane Lisbôa.
A primeira experiência se deu ainda no ano de 2009, com a obtenção
do prêmio Interações Estéticas, vinculado ao CUCA/Campina Grande,
trabalho que se concluiu com a realização do espetáculo Fronteiras – o
dia em que o boi enfrentou o papangu. No ano de 2010, outra
experiência teatral, desta vez desenvolvida através de projeto
submetido ao MEC, deu origem ao espetáculo Aperreio.
A partir dessas duas experiências, e de outros projetos e ações
desenvolvidas em Campina Grande por Eliane Lisbôa e alguns atores, o
Grupo Teatral Arupemba teve início. Uma primeira experiência já
então oficialmente do Grupo foi a montagem de cena curta sobre a vida
e obra de Zé Lins do Rego, em 2011, “Zé Lins, Vida e Arte”, que se
apresentou em João Pessoa no mesmo ano.
Taperoá em foco
com informações Adenildo Gomes



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