Onde Ricardo errou?
Fui por alguns anos defensor árduo do governador Ricardo Coutinho, assim como tantos outros que agora também já não estão mais ao seu lado – Nonato Bandeira, Luciano Agra, Roseana Meira, Ubiratam Pereira (Bira), Lúcio Flávio, Alexandre Urquiza integram uma legião que saiu em debandada das hostes socialistas. Gente, aliás, muito mais próxima de Ricardo. Perto deles, era uma espécie de primo distante. Quase um estranho no ninho.
Porém, independente do tempo e da intimidade, tomamos todos a mesma decisão; escolhemos o mesmo caminho:deixar para trás o espinhoso jardim girassol.
São tantos elos partidos que nos impõem a reflexão: como tantos foram ficando pelo caminho?
Esse novelo de razões começa por uma promessa ousada e jamais cumprida: fazer 40 anos em 4. Os meses e anos do Governo do PSB se esvaíram sem que o gestor Ricardo Coutinho alavancasse os três pilares fundamentais da administração pública: saúde, segurança, educação.
Mesmo que a propaganda oficial diga o contrário, a população sente na ponta que três segmentos essenciais desandaram, e viraram uma massa disforme, nas mãos de Ricardo Coutinho.
Ele confiou muito no cimento e esqueceu da maior tarefa do gestor público: o povo.
E se tivesse mesmo perguntado, em alguma daquelas audiências do orçamento participativo, os paraibanos certamente teriam respondido: saúde, segurança e educação formam uma tríade da qual ninguém pode se apartar. É neles que residem as maiores demandas e carências da população.
Olha a sua volta: a saúde da Paraíba está melhor ?
Os nossos hospitais melhoraram 40 anos em 4? Então, daqui a quatro décadas ainda assistiremos um hospital que administra livremente quase dez milhões de reais mensais retendo macas para impedir que o Samu traga mais pacientes (para os quais a Cruz Vermelha olha e enxerga “custos”)?
Somente daqui a 40 anos haveremos de ver inaugurado o centro de oncologia em Patos?
Nestes últimos quatro anos o equipamento de saúde – que aliviaria a dor e o sofrimento de muitos sertanejos, que têm que deixar suas casas e famílias para tentar vencer o câncer no apinhado Hospital Napoleão Laureano – só existiu na propaganda oficial.
O hospital metropolitano também não saiu do papel.
Se a saúde preocupa, a segurança assusta.
Olhe ao redor e reflita: a segurança publica da Paraíba melhorou nos últimos anos? Qual a sensação que você tem? É a mesma que está nas propagandas do Governo?
Pela contabilidade operada nos bastidores da Secretaria de Segurança Pública, estamos a caminho do jardim do Eden. Todas as estatísticas desenham um cenário que, infelizmente, o cidadão não vê nas ruas do Estado.
A pacata João Pessoa entrou para a lista das cidades mais violentas do mundo. E conseguiu essa façanha ao exibir tem taxas de homicídios consideradas epidêmicas pela Organização Mundial da Saúde.
Os números não foram construídos do acaso. Os aparatos de fiscalização nas estradas paraibanas foram desarticulados logo no primeiro ano da gestão socialista, escancarando a porta do Estado para o narcotráfico e para as quadrilhas especializadas em explosões a bancos. Em algumas cidades do interior, populações inteiras foram levadas de volta ao tempo do cangaço. Bandidos destemidos pela ausência das forças de segurança sitiam municípios, saqueiam, colocam cidadãos sob chuvas de balas.
E não é difícil ser Lampião nestes tempos de polícia enfraquecida e reduzida. O efetivo, que em 2009 era de 10 mil 539 policiais foi encolhido para 9 mil 158 PMs em 2013. A redução atingiu também a Polícia Civil, que em 2009 era operada por 2 mil 136 policiais e agora se resume a 1 mil 850. Não sem razão, os processos viram pilhas de casos insolúveis, descansado em gavetas sucateadas das delegacias paraibanas – sem efetivo sequer para mantê-las abertas em regime de plantões.
O cenário não melhora na seara da Educação. Ricardo reformou algumas e fechou outras tantas. Mais de 200 estabelecimentos de educação foram desarticulados pelo atual ocupante do Palácio da Redenção. Resultado? Ao invés de ampliar o acesso a educação, a Paraíba assistiu a redução de 100 mil matrículas.
Além das maquiagens de marketing e publicidade, o Governo do PSB tem montado uma estratégia clara de tentar amortecer o impacto dos desastres ocorridos nas três áreas essenciais com ostentação de obras.
Elas ocorreram, de fato. Mas o gestor de plantão omite que cada obra edificada pelo Governo tem um “rastro” de contribuição de tantos os outros que passaram pelo Palácio da Redenção – especialmente os dois mais recentes antecessores, José Maranhão e Cássio Cunha Lima.
É assim como o centro de convenções, com as estradas e com as escolas técnicas.
O maior problema do Ricardo que se faz homem de pedra e cal não é omitir as múltiplas paternidades de suas realizações. E sim a falta de percepção de que não é desse tipo de matéria que o povo é feito.
Assim como eu. Assim como Agra e Nonato; Roseana e Bira; Urquiza e Lúcio Flávio. Gente que esteve ao lado do “Mago” quando ele não passava de uma raquítica promessa de liderança futura. E que se decepcionaram ao constatar que, em sua versão encorpada, Ricardo é um desenho de ser humano esculpido em pedra.
Ele pode ser de concreto. Mas o povo é de carne e osso.
Taperoá em foco
com Blog do Gordinho



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