Reportagem veiculada na noite deste domingo (10) no Fantástico da Rede
Globo mostra a situação da falta de macas nas unidades do SAMU pelo
Brasil e Campina Grande, na Paraíba, foi um dos principais destaques da
matéria.
Segundo a reportagem, as ambulâncias são modernas, equipes estão
treinadas, tudo pronto, mas falta uma coisa fundamental: a maca. E essa
falha grave afeta diversas cidades brasileiras. Os atendimentos urgentes
são situações de vida ou morte, onde nada pode dar errado. Mas muitas
vezes dá.
Veja trecho da matéria onde o descaso se apresenta na segunda maior cidade da Paraíba, Campina Grande:
Em Campina Grande, na Paraíba, o Fantástico encontrou a mesma situação.
Fantástico: Não tem maca pra levar ela?
Enfermeira: Sem maca, sem cadeira, sem nada.
Hospital superlotado e macas de emergência usadas como leitos. Enquanto isso, no lado de fora...
“Teve dias de a gente chegar aqui por volta de meia noite, sair
daqui dez horas da manhã, onze horas, meio dia. Já várias, várias
vezes”, afirma Silvia Santa Cruz, enfermeira do Samu.
A equipe flagrou uma ambulância que ficou uma hora parada sem maca. Ao mesmo tempo, na BR-230, um motoqueiro também esperava.
“Quando chegamos aqui, o pessoal disse que tinha mais de uma hora e
meia que tinham ligado lá para o Samu. Disseram que não tinha
ambulância”, diz o sargento Clementino, da Polícia Militar.
“Esse acidente foi aqui ainda estava claro, sabia? A gente chamou a
Samu, mas a Samu não veio, não. Disse que não tinha ambulância lá,
não”, afirma Rose Silva, testemunha do acidente.
O carro que finalmente chega é o mesmo que o Fantástico flagrou há pouco parado, esperando maca na porta do hospital.
“Acabou de ser liberada nesse momento a maca. Cada vez mais que o
Samu leva um paciente para o trauma, fica uma maca presa”, diz o
socorrista Edson Nunes.
No começo de julho, a retenção de macas levou à morte de um senhor em Campina Grande.
“Perdi meu pai. Eu não gosto nem de pensar. Eu me humilhando,
entendeu? E só escutando, só escutando, escutando... E nada. Pedindo
ambulância”, conta Francisco Rodrigues Filho, filho da vítima.
O drama dessa família começou quando o pai de Francisco teve um infarto em casa. A primeira a ligar para o Samu foi a nora.
Nora: Ele tá sentindo muitas dores.
Central do Samu: Senhora, olha. No momento eu tô sem nenhuma
ambulância. Sem UTI móvel, sem unidade básica. Eu tenho algumas com maca
presa no Hospital de Traumas e as outras estão em ocorrência.
A família esperou três horas e desistiu.
“Coloquei meu pai em cima de uma camionete para trazer para o
hospital. Quando eu cheguei aqui, cinco ambulâncias da Samu que eu vi.
Todas sem maca”, conta o filho da vítima.
O seu Francisco foi trazido para o hospital, que, além de Campina
Grande, atende a mais de 270 municípios de quatro estados diferentes. É o
único hospital de referência da região.
Fantástico: O que vocês estão fazendo aqui?
Socorrista: Aguardando a maca, liberação
Fantástico: Há quanto tempo?
Socorrista: Há mais de uma hora.
“Ao invés de estar ali socorrendo, você está aqui na porta do
hospital, no lado de fora, esperando para prestar um atendimento que a
gente sabe que a gente podia estar lá, resolvendo o problema da
população, e não pode”, afirma a socorrista.
Em Campina Grande, o Samu é coordenado pelo município.
Fantástico: Você tem, atendendo a população de Campina Grande, quantas ambulâncias?
Hermano Barbosa de Lima (coordenador médico do Samu de Campina Grande): dez ambulâncias.
Fantástico: E você já chegou a ficar com quantas paradas por falta de maca?
Hermano Barbosa de Lima: Dez ambulâncias paradas. Para cada
unidade, nós temos uma reserva. Quando o serviço fica 100% inviável, é
porque, além das dez macas reservas, ficaram também as dez macas
oficiais da unidade retidas no hospital.
Fantástico: Ou seja, você já chegou a ter 20 macas retidas dentro do Hospital de Traumas?
Hermano Barbosa de Lima: Rotineiramente.
Fantástico: Vocês já entraram em contato com o hospital para falar sobre esse problema?
Hermano Barbosa de Lima: Sim. Além disso, uma vez a maca ficando
presa, a equipe que se encontra presa sai do hospital, vai para a
delegacia, faz um Boletim de Ocorrência para documentar.
O Hospital de Traumas é de responsabilidade do governo da Paraíba. O
secretário diz que as macas ficam presas, porque o Samu manda pacientes
para lá que poderiam ir para unidades mais simples e não avisa os
médicos.
“Na medida em que você tem uma ambulância direcionada a qualquer
serviço sem ter a regulação médica, sem preparar o hospital, obviamente
que essa ambulância, ela terá que esperar a liberação da maca. Essa
responsabilidade não pode ser do hospital, ela não deve ser do hospital.
É como se você tivesse preparado para receber cinco pessoas na sua casa
para almoçar e chegar 50”, afirma o secretário de Saúde da Paraíba,
Waldson de Sousa.
“Eles acham que a gente sempre coloca o paciente lá, o que não é
uma verdade. Nós trabalhamos aqui com uma grade de referência
hospitalar. A gente tenta poupar a todo momento, colocar paciente que
pode ficar em outro hospital ao invés de colocar lá no trauma”, afirma o
coordenador do Samu de Campina Grande, Hermano Barbosa de Lima.
Taperoá em foco
com G1



.jpg)

