A troca de ataques deu o tom do último debate entre os candidatos ao
governo da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) e Ricardo Coutinho (PSB),
realizado na noite desta quinta-feira (23) pelas TVs Cabo Branco e
Paraíba. Os dois concorrentes deixaram as propostas em segundo plano e
optaram preferencialmente pelas críticas, que muitas vezes saíram do
campo administrativo e entraram no pessoal.
Com a mediação do jornalista da Rede Globo José Raimundo, o último
confronto antes do segundo turno, que acontece no domingo (26), foi
dividido em três blocos. No primeiro deles os candidatos fizeram
perguntas com temas livres, o segundo teve temas determinados por
sorteio e o último foi destinado às considerações finais. O programa
completo teve duração de cerca de uma hora.
O clima entre os candidatos começou a ficar tenso logo no começo do
debate. Cássio perguntou a Ricardo o porquê de ele não fazer
investimentos no combate às drogas. O governador respondeu que tinha
assinado um programa nacional para tratamento de dependentes químicos e
ressaltou que o problema não poderia ser jogado nas costas do Estado. Na
sequência ele atacou Cássio afirmando que o tucano havia criado um
programa para beneficiar estudantes com uma poupança, quando era
prefeito de Campina Grande, mas não o efetivou.
“ Você toda campanha promete, cria factoides, faz da política um
espetáculo. Mas, de trabalho, trabalho, absolutamente nada. Em política
ou trabalha, ou a população faz as contas e manda embora. O trabalho não
é o seu forte, você há de convir”, afirmou Ricardo Coutinho.
Cássio rebateu Ricardo, lhe chamando de provocador e oportunista. “A
Paraíba lhe derrotou Ricardo, você foi rejeitado. Não fosse a eleição em
dois turnos, onde você teve de buscar alianças incoerentes, com quem
você atacava, com o oportunismo de sempre”, disse o tucano.
Na sequência Ricardo perguntou a Cássio sobre o seu interesse em
privatizar a Cagepa. Insinuação negada pelo tucano. “Ricardo, não
coloque palavras na minha boca, não basta você criar números, trazer uma
realidade que não existe na Paraíba, agora quer colocar palavras na
minha boca. Tire a máscara. Fale a verdade, deixe de mentir. Eu nunca
falei em privatização da Cagepa”, disse. “Você foi rejeitado pelo povo
da Paraíba. Não fosse a eleição em dois turnos você já teria perdido a
eleição”, completou Cássio.
Mantendo o clima de confronto, Ricardo afirmou que o candidato do PSDB
estava desesperado. “Como a Paraíba me rejeitou? Eu tô aqui disputando
com você . O teu desespero, a tua raiva, o teu ódio, demonstram
claramente à Paraíba que você está em desvantagem. Até o Ibope disse
isso. A situação está um pouco delicada para você, mas para mim a
eleição é no domingo”, disse o candidato à reeleição. O socialista
declarou ainda que o adversário tem sim projetos para privatizar a
Cagepa e usa a área de esgoto como argumento.
Na abertura do segundo bloco, com temas determinados por sorteio,
Cássio indagou Ricardo Coutinho sobre ações de incentivo à indústria. O
governador falou que na sua gestão trouxe 197 indústrias para o Estado e
garantiu R$ 6,3 bilhões de investimentos no setor. Depois disso voltou a
atacar o tucano. “Você fala como se nunca tivesse ocupado nada, você
foi da Sudene, e a Paraíba sabe como foi sua passagem. Você foi
governador duas vezes, você já foi prefeito. Já teve parentes, tio, pai,
todo mundo na esfera política, e quer me perguntar, eu com três anos e
10 meses [ de governo]”, disse o socialista.
Cássio afirmou que fez uma pergunta de bom nível e Ricardo tentou
desqualificar o debate. “Na Sudene tive uma passagem de um ano
extramente operosa . Não fale de honrabilidade tendo um irmão como
Coriolano Coutinho, que tem denúncias enormes, a Paraíba sabe dos
problemas que seu irmão enfrenta”, declarou.
Em outro momento Ricardo questionou Cássio sobre ações realizadas para
viabilizar a transposição do Rio São Francisco na Paraíba, no período em
que o tucano governou o Estado. O candidato do PSDB disse que um dos
projetos mais importantes que fez foi o canal Acauã-Araçagi e afirmou
que o governador não reconhecia isso. “Você pegou a garapa de só
executar a obra, já com tudo pronto. Isso vale para o Centro de
Convenções [ de João Pessoa], isso vale para as estradas da CAF
[Confederação Andina de Fomento], vale para as adutoras da
Translitorânea e para adutora São José, em Campina Grande”, declarou.
Cássio disse ainda que o Estado não teria condições de receber as águas
do São Francisco porque a administração de Ricardo não concluiu as obras
necessárias.
“Dois lamentáveis equívocos, demonstram seu desconhecimento total da
realidade. Primeiro: não foi o senhor que fez o projeto [ do canal
Acauã-Araçagi], foi o Ministério da Integração, o senhor engavetou o
projeto. Foi o governador José Maranhão que resgatou o projeto. Segundo:
das 55 cidades das bacias receptoras do São Francisco, 20 já iniciaram
ou estão a iniciar o processo de saneamento. Você não tem conhecimento
das coisas, é impressionante”, rebateu Ricardo Coutinho.
No último bloco cada um dos candidatos teve direito a dois minutos para as considerações finais.
Taperoá em foco
cpm JP



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